Arte, Poesia, Refletindo, Semente

Domingo é dia de…

A PIPOCA

“A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

MILHO DE PIPOCA QUE NÃO PASSA PELO FOGO CONTINUA A SER MILHO DE PIPOCA, PARA SEMPRE.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

“MORRE E TRANSFORMA-TE!”- DIZIA GOETHE.

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Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á”.A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira…”Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu”.

RUBEM ALVES

Domingo em minha casa é dia de pipoca, principalmente porque sou viciada e se eu não me auto controlar chego a comer todos os dias essa delicia. Porém quando me perguntam “por que” domingo eu digo que domingo é sempre o primeiro dia da semana, é um começo, ou melhor, nossos recomeços semanais. Sempre é possível se renovar e mudar. Sempre!

Agora o por quê de Rubem Alves eu nem preciso dizer, aliás diferentemente da pipoca, aqui em casa, ou seja onde for, todo dia é da de Rubem.

Beijos de Recomeços

Olivia

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Refletindo

Culpa de quem?!?

Diante de um obstáculo, o primeiro reflexo do ser humano é o de perguntar:”Por que está havendo esse problema e de quem é a culpa?” Ele procura os culpados e qual punição se deve aplicar para que aquilo não aconteça mais. Na mesma situação, a formiga primeiramente pergunta:”Como resolver esse problema e de qual ajuda preciso para isso?” No mundo mirmecoano não existe a menor noção de culpa. Sempre haverá uma grande diferença entre os que perguntam “o que fazer para que elas funcionem”. Até agora, o mundo humano pertence a quem pergunta “por quê”, mas virá o dia em que os que perguntam “como” vão tomar o poder…

Fonte: O Império das Formigas- Volume 2(O Dia das Formigas)_Bernard Werber_ Editora Bertrand Brasil, 2008; pág.146 e 147

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Poesia, Refletindo

Solidariedade

A solidariedade nasce da dor e não da alegria. Todos se sentem mais próximos daqueles com quem compartilham um momento difícil do que os outros, com os quais tiveram algo feliz. A infelicidade é fonte de solidariedade e de união, enquanto a felicidade separa. Por quê? Porque, por ocasião de um triunfo comum, cada um se sente lesado em seu mérito particular. Cada um imagina ter sido o único autor do sucesso comum. Quantas famílias não se dividem na hora da herança? Quantos grupos de rock’n roll não permanecem ligados…até o sucesso? Quantos movimentos políticos não explorem quando conquistam o poder? Etimologicamente, a palavra “simpatia”, aliás, vem de sun pathein, que significa “sofrer com”. Da mesma maneira, “compaixão” saiu do latim cum patior, significando, igualmente, “sofrer com”. É imaginando o sofrimento dos mártires do seu grupo de referência que se pode, por um momento, deixar a insuportável individualidade. É na lembrança de um calvário vivenciado em comum que residem a coesão e a força de um grupo.

Fonte: O Império das Formigas- Volume 2(O Dia das Formigas)_Bernard Werber_ Editora Bertrand Brasil, 2008; pág.262

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Refletindo

Diversidade é a nossa Genialidade

Uma reflexão em homenagem ao dia nacional da consciência negra.PENSE!

“…O homem acredita que, oferecendo a todos o que se estima ser o melhor, ele há de chegar,um dia, à humanidade perfeita.Não é como se encaminham as coisas. A natureza, apesar do Sr. Darwin, não evolui na direção da supremacia dos mais aptos (aptos  a que, afinal?) .A natureza busca sua força na diversidade. Precisa dos bons, dos maus, dos loucos, dos desesperados, dos esportivos, dos doentes, dos corcundas, dos lábios leporinos, dos alegres, dos tristes, dos inteligentes, dos imbecis, dos egoistas, dos generosos, dos pequenos, dos grandes, dos negros, dos amarelos, dos brancos…São necessárias todas as religiões , todas as filosofias, todos os fanatismos, todas as sabedorias… O único perigo é que alguma dessas espécies seja eliminada por outra. Confirmou-se que os campos de milhos artificialmente concebidos pelo homens, com irmãs gêmeas da melhor espiga (aquela com menos necessidade de água, que melhor resiste à geada e produz os mais belos grãos), morriam bruscamente, assim que afetados pela mais simples doença . Os campos silvestres de milho, compostos por diversas fontes diferentes e tendo, cada uma, suas especificidades, fraquezas e anomalias, sempre conseguem encontrar solução para as epidemias.

A NATUREZA ODEIA UNIFORMIDADE E AMA A DIVERSIDADE. TALVEZ SEJA ONDE SE PODE PERCEBER SUA GENIALIDADE.”

Edmond Wells
Enciclopédia do saberes relativos e absoluto.”

Fonte: O Império das Formigas- Volume 1 (As Formigas)_Bernard Werber_
Editora Bertrand Brasil, 2008; pág.149

Beijos de Diversidade

Olivia

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Refletindo

NADA

“Nada: O que é mais prazeroso do que parar de pensar? Interromper, enfim, o fluxo transbordante de ideias mais ou menos úteis ou mais ou menos importantes. Parar de pensar! Como se estivéssemos mortos, mas podendo voltar a viver. Estar vazio. Voltar às supremas origens. Sequer ser alguém que não pensa. Ser nada. É uma nobre ambição.
Edmond Wells
Enciclopédia do saberes relativos e absoluto.”

Fonte: O Império das Formigas- Volume 1 (As Formigas)_Bernard Werber_
Editora Bertrand Brasil, 2008; pág.203

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